Autor: themissilva

  • O que é retrofit?

    O que é retrofit?

    Transformações em edifícios antigos têm sido cada vez mais comuns. Estima-se que o mercado de retrofit cresça 8% ao ano até 2050. Mas você sabe o que, exatamente, se faz em um retrofit? Este artigo irá te ajudar a entender o que é um retrofit, como ele se diferencia da reforma e quais são os seus benefícios.

    O que é retrofit?

    O retrofit é um processo de modificação de determinado produto para incorporar a ele peças ou características que ele não possuía originalmente. No caso da arquitetura, o retrofit significa a modificação de sistemas e estruturas de edifícios, usualmente priorizando aumentar seu desempenho técnico e ambiental. Em um retrofit são feitas melhorias que não apenas restauram a funcionalidade de um edifício, como também aumentam seu conforto e sua eficiência energética. Existem diversos níveis de retrofit, desde os leves, em que são feitas pequenas modificações, até os retrofits profundos, em que grande parte das peças e sistemas é alterado. Por exemplo: um retrofit leve pode envolver a substituição da iluminação original por iluminação led. Já um retrofit profundo pode envolver a modernização de sistemas de climatização, ou a modificação das fachadas para otimizar o controle solar, a iluminação natural e o isolamento térmico. 

    Qual a diferença entre retrofit e reforma?

    A reforma e o retrofit são termos que podem se confundir e, eventualmente, ser usados como sinônimos. No entanto, o termo reforma usualmente se refere a modificações que têm propósitos diferentes do processo de retrofit. A reforma costuma priorizar melhorias estéticas e funcionais, não necessariamente implicando no aumento de desempenho técnico e ambiental do edifício.

    Quais os benefícios do retrofit?

    O principal benefício do retrofit é a sua contribuição para a minimização dos danos ambientais causados pela construção civil. Reaproveitar de forma sustentável um edifício existente gera menos impactos à natureza do que a construção de um edifício totalmente novo. Devido às atualizações tecnológicas, os retrofits são capazes de reduzir significativamente o consumo de energia e água, assim como substituir o uso de combustíveis fósseis por energia renovável. Através da aplicação de estratégias passivas de conforto, um retrofit pode tornar mais fácil aquecer ou resfriar um edifício. Com as mudanças climáticas ocorrendo mais rapidamente do que se previa, os retrofits podem ser essenciais para manter a funcionalidade de edifícios. Mesmo construções relativamente novas poderão precisar de adaptações rápidas para combater o calor extremo.

    Um outro benefício do retrofit é a flexibilidade em relação à localização, o que pode proporcionar vantagens geográficas, além de ajudar a combater a expansão urbana descontrolada e a preservar áreas verdes e ambientes naturais. Por fim, o retrofit tem como benefício a preservação de bens culturais e históricos, possibilitando que eles atendam aos padrões modernos de sustentabilidade e eficiência energética.

    Exemplos de retrofit pelo mundo.

    Um exemplo importante de retrofit é a transformação de três edifícios modernistas na França, na cidade Bordeaux, cujo projeto foi realizado pelo escritório Lacaton e Vassal. Esse conjunto foi originalmente construído nos anos 1960 e conta com mais de 500 unidades habitacionais, porém estava em más condições de conservação. O retrofit realizou uma recuperação da estrutura existente, substituiu as instalações elétricas e os elevadores e renovou os banheiros. Mas a intervenção mais importante foi a adição de varandas que ampliaram os apartamentos e melhoraram as condições de iluminação, ventilação, além de ampliar as vistas externas. Essas varandas, juntamente com a instalação de um novo sistema de isolamento térmico de fachada, contribuíram para melhorar o desempenho térmico dos edifícios. Esse exemplo é importante pois mostra como edifícios existentes, mesmo quando obsoletos e degradados, podem se tornar uma solução para os problemas habitacionais das grandes cidades.

    Antes e depois do retrofit de Grand Parc | Lacaton & Vassal | Foto: Philippe Ruault | Fonte: https://www.theguardian.com/artanddesign/2019/may/12/grand-parc-bordeaux-lacaton-vassal-mies-van-der-rohe-award

    No Brasil também há ótimos exemplos de retrofit. Um deles é o projeto realizado pelo escritório de Marina Acayaba e Juan Pablo Rosenberg (AR Arquitetos) para o edifício localizado na esquina da Avenida Paulista com a Avenida Angélica, em São Paulo. Chamado de Edifício Rosa, o prédio passou por transformações importantes que aprimoraram sua funcionalidade, sua conexão com a rua, sua estética e seu desempenho térmico e acústico. O térreo foi reconfigurado, substituindo uma antiga parede externa por painéis envidraçados. As fachadas da torre foram transformadas em um invólucro formado por esquadrias de alumínio e panos de vidro auto-portante tipo C-Glass. Esse sistema foi capaz de aumentar a eficiência térmica e acústica do edifício, uma vez que o C-glass duplo é insulado e possui laminação de alta reflexão UV. A transformação contou, ainda, com a instalação de um sistema de ar-condicionado central tipo VRF, que também contribuiu para a melhoria da eficiência energética do edifício.

    Edifício Rosa | AR Arquitetos | Fonte: https://www.ar-arquitetos.com.br/projeto/edificio-rosa

    Por fim, outro exemplo importante de retrofit brasileiro é o Edifício RB12, projetado pelo escritório Triptyque. O antigo prédio passou por uma transformação que teve como requisitos o conforto térmico, a gestão do consumo de água, o aproveitamento da luz natural, e o oferecimento de bem-estar e conforto. A fachada principal recebeu um sistema bioclimático composto por painéis de vidro em zigue-zague que brincam com a refração da luz. Essas e outras soluções implementadas reduziram o consumo de energia e aprimoraram a aparência do edifício sem a necessidade de reconstrução.

    RB12 | Triptyque | Foto: Leonardo Finotti | Fonte: https://divisare.com/projects/317762-triptyque-leonardo-finotti-rb12

    REFERÊNCIAS

    WILKINSON, Sara; SAYCE, Sarah. The philosophy and definition of retrofitting for resilience. In: SAYCE, Sarah et al. Nova Iorque: Routledge, 2023.

    WORLD ECONOMIC FORUM (WEF). Circularity in the Built Environment: Unlocking Opportunities in Retrofits. WEF, 2025. Disponível em: https://reports.weforum.org/docs/WEF_Circularity_in_the_Built_Environment_2024.pdf

    https://www.cse.org.uk/news/what-is-retrofit/

    https://www.ar-arquitetos.com.br/projeto/edificio-rosa

    https://www.architectsoffice.co/projeto/rb12

    https://www.ube.ac.uk/whats-happening/articles/what-is-retrofitting/

    https://triptyque.com/pt/typology/retrofit/

    https://www.lacatonvassal.com/index.php?idp=80

     

  • Arquitetas contemporâneas: 5 mulheres para conhecer e se inspirar.

    Arquitetas contemporâneas: 5 mulheres para conhecer e se inspirar.

    Escrito por: Themis da Silva.

    Elas estão ajudando a moldar o que conhecemos como arquitetura contemporânea. Esse artigo celebra a atuação feminina através de 5 exemplos de arquitetas notáveis.


    Fonte: Architectural Review

    FRIDA ESCOBEDO

    Frida Escobedo nasceu na Cidade do México, em 1979. Ela estudou arquitetura na Universidade Ibero-Americana antes de concluir sua formação na Escola de Design da Universidade de Harvard. Em 2006, fundou seu próprio escritório na Cidade do México. Seus primeiros trabalhos foram realizados em seu país natal e, em 2018, a arquiteta conquistou alcance global ao projetar o Serpentine Pavilion daquele ano – tornando-se a arquiteta mais jovem a ser nomeada para essa comissão. Em sequência, Frida foi convidada a realizar diversos outros projetos internacionais, como a nova ala de arte moderna e contemporânea do Museu Metropolitano de Nova York, em 2022. A arquitetura praticada por Frida caracteriza-se pelo uso recorrente de materiais e formas simples para criar atmosferas sofisticadas. Em vez de materiais luxuosos, a arquiteta costuma trabalhar com materiais como telhas de cimento produzidas em massa ou blocos de concreto perfurados. Seus trabalhos mais recentes incluem uma torre de apartamentos em Nova Iorque e a participação na renovação do Centro Pompideau, em Paris.


    Fonte: Studio Contra

    OLAYINKA DOSEKUN-ADJEI

    Olayinka é natural da Nigéria. Antes de iniciar sua carreira em arquitetura, trabalhou como analista financeira em Londres. Ela possui bacharelado em Estudos Clássicos pela Universidade de Oxford (New College) e mestrado em Arquitetura pela Escola de Design da Universidade de Harvard. Sua experiência profissional inclui passagens por escritórios de arquitetura renomados, como Barkow Leibinger (Berlim), Sheppard Robson (Londres) e Mass Design (Boston). Atualmente, Olayinka é diretora criativa do Studio Contra, escritório de arquitetura baseado em Lagos, fundado por ela e seu marido, Jeffrey Adjei. O escritório se propõe a produzir uma arquitetura contemporânea que responda ao seu contexto, resista ao teste do tempo, seja ambientalmente sustentável e nos inspire. Seus trabalhos incluem obras de arquitetura residencial, comercial e cultural. Um dos projetos mais recentes e relevantes do Studio Contra é o Instituto de Arte e Cinema Africanos Contemporâneos.


    Fonte: Parametric Architecture

    KAZUYO SEJIMA

    Kazuyo Sejima nasceu em 1956, na Província de Ibaraki, no Japão. Ela estudou arquiteta na Universidade Feminina do Japão e, após concluir a graduação, trabalhou no escritório de Toyo Ito. Em 1987, abriu seu próprio estúdio em Tóquio e, em 1995, fundou o escritório SANAA, junto com o arquiteto Ryue Nishizawa. Duas das principais influências do trabalho de Sejima são a tradição japonesa e a arquitetura moderna. Partindo dessas bases, no entanto, Sejima desenvolveu sua própria expressão e ajudou a moldar o que, hoje, se reconhece como arquitetura contemporânea. As obras criadas por Sejima costumam se caracterizar pelo efeito de leveza, pela forte conexão entre interior e exterior, pela flexibilidade espacial e pelo uso de transparências e cores claras. Atuando com o escritório SANAA, sua carreira teve êxito internacional e se especializou em edifícios de caráter cultural. Algumas das suas obras mais relevantes incluem o New Museum, em Nova Iorque, o Louvre Lens, na França, o Museu de Arte Contemporânea do século XXI, no Japão, e o Rolex Learning Center, na Suíça. Ao longo de sua trajetória, Kazuyo Sejima recebeu inúmeros prêmios, dentre eles o Pritzker de 2010, compartilhado com seu sócio, Ryue Nishizawa.


    Fonte: Histórias de Casa | Alessandro Guimarães

    MARINA ACAYABA

    Marina Acayaba nasceu em São Paulo, em 1980. Filha da arquiteta Marlene Milan Acayaba e do arquiteto Marcos Acayaba, Marina também optou pela carreira de arquitetura. Ela estudou na FAUUSP (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo), onde graduou-se em 2006. Sua experiência profissional inclui a colaboração em escritórios prestigiados nacional e internacionalmente. Atuou junto ao Marcos Acayaba Arquitetos, ao MMBB Arquitetos, ao Isay Weinfeld Arquitetos, ao Aires Mateus Arquitetos (em Lisboa) e ao SANAA (em Tóquio). Em 2008, Marina fundou o próprio escritório, AR Arquitetos, onde trabalha ao lado do marido, Juan Pablo Rosenberg. A arquitetura desenvolvida por Marina no AR Arquitetos é voltada ao uso e às sensações que os espaços proporcionam. Suas obras costumam se caracterizar por efeitos de leveza, grande atenção aos detalhes, ênfase na expressividade dos materiais (sejam eles industrializados ou naturais) e fortes relações entre áreas externas e externas. Algumas de suas obras de maior destaque são a Casa dos Pátios, o Edifício Rosa, a Casa na Mantiqueira e a Galeria Mendes Wood.


    Fonte: Ugreen | Foto: Martin Mackowitz

    ANNA HERINGER

    Anna Heringer nasceu em 1977 e cresceu em Laufen, uma pequena cidade na divisa entre a Alemanha e a Áustria. Aos 19 anos, viveu durante quase um ano em Bangladesh, onde aprendeu sobre desenvolvimento sustentável sendo voluntária de uma ONG focada em desenvolvimento rural. Essa experiência trouxe como principal lição a estratégia de confiar nos recursos existentes e tirar o máximo proveito deles, em vez de depender de sistemas externos. Quando ela retornou à Europa, estudou arquitetura na Universidade de Artes e Design Industrial de Linz. Seu trabalho de graduação se transformou em seu primeiro edifício construído – a Escola METI, de 2006, que recebeu tanto o Prêmio Aga Khan quanto o Prêmio de Arquitetura Emergente da Architectural Review. Ao longo de toda sua carreira, Anna vem se dedicando à sustentabilidade, criando obras que utilizam materiais e mão de obra locais para fortalecer pessoas e comunidades. Alguns de seus projetos mais relevantes são o Centro Anandaloy (um Edificio comunitário destinado à terapia de pessoas com deficiências), em Bangladesh, e o Albergue de bambu, na China – construído com terra compactada, pedra e bambu. O trabalho de Anna já recebeu diversas honrarias: o Prêmio Obel de 2020, o Prêmio Global de Arquitetura Sustentável, o Prêmio AR de Arquitetura Emergente em 2006 e 2008, a Bolsa Loeb na GSD de Harvard e uma Bolsa Internacional do RIBA.

    REFERÊNCIAS:

    https://www.studio-contra.com/studio

    https://www.wallpaper.com/architecture/west-african-studio-profile-series-nigerian-studio-contra

    https://www.anna-heringer.com/about/

    https://www.dezeen.com/2025/01/26/anna-heringer-anandaloy-centre-21st-century-architecture/

    https://www.dezeen.com/2022/04/15/essential-beauty-anna-heringer-round-up/

    https://fridaescobedo.com/info/

    https://www.dezeen.com/2023/09/12/frida-escobedo-le-prix-charlotte-perriand-2024/

    https://www.archdaily.com.br/br/899993/tal-pai-tal-filho-19-arquitetos-e-arquitetas-que-seguiram-a-profissao-do-pai

    https://www.ar-arquitetos.com.br/

    https://www.pritzkerprize.com/laureates/2010#laureate-page-340

    https://www.wallpaper.com/design/kazuyo-sejima-is-the-far-sighted-star-of-japanese-architecture-wallpaper-20-game-changers

    https://www.japanhouse.jp/en/interview/page01_00013.html

     

  • Barbara Buser recebe Prêmio Jane Drew, dedicado a mulheres na arquitetura.

    Barbara Buser recebe Prêmio Jane Drew, dedicado a mulheres na arquitetura.

    Escrito por Themis da Silva.

    O Prêmio Jane Drew é destinado a reconhecer o trabalho de mulheres na arquitetura. Dentre as vencedoras anteriores estão: Anne Lacaton (2025), Kazuyo Sejima (2023), Yasmeen Lari (2020), Elizabeth Diller (2019), Denise Scott Brown (2017) e Zaha Hadid (2014). Neste ano, o Prêmio foi dado à arquiteta suíça Barbara Buser. Defensora do reuso de materiais construtivos, Barbara é bastante conhecida em seu país. No entanto, fora da Suíça, o importante trabalho que há décadas ela desenvolve ainda carece de maior divulgação.

    Barbara Buser graduou-se arquiteta pela ETH Zurich em 1979. Logo depois de formada, passou 10 anos trabalhando no Sudão e na Tanzânia – primeiro com uma organização de ajuda humanitária e depois com a Agência Suíça para o Desenvolvimento e a Cooperação. Quando retorna ao seu país natal, o contraste entre suas experiências na África e a cultura de luxo e desperdício na Europa a deixam consternada.

    “Na África, aprendi que o lixo de uma pessoa é a matéria-prima de outra.”

    Em 1996, ela criou um centro de peças de construção (Building Parts Exchange), oferecendo componentes usados para serem reaproveitados – desde caixilhos de janelas até vigas estruturais. Ela também criou, junto com o sócio Éric Honegger, o escritório de arquitetura Baubüro In Situ. Em 1998, eles transformaram um grande banco abandonado no centro de Basel em um café e centro comunitário. Dentre antigos edifícios de fábricas e mercados, o escritório de Barbara transformou diversas construções através do reuso. Mais tarde, ela cria a Zirkular, considerada uma renomada empresa Suíça especializada em construção circular, reuso de materiais e métodos sustentáveis. A Zirkular resgata materiais de edifícios, locais de demolição e doadores de todo o país e os coloca em oferta para reutilização. Outros serviços da empresa incluem suporte especializado para escritórios de arquitetura e planejadores urbanos e ações educativas através de workshops e programas de ensino superior.

    Projeto do escritório Baubüro in Situ, que adicionou três andares a um edifício industrial na Suíça. Nessa obra, 70% dos materiais utilizados eram reciclados. Foto de Martin Zeller. Fonte: Metropolis | https://metropolismag.com/profiles/how-barbara-buser-sparked-a-reuse-revolution/

    Barbara Buser é uma pioneira da construção circular. Há trinta anos dedica-se a uma prática de arquitetura focada na sustentabilidade e no bem comum. O Prêmio Jane Drew é uma merecida forma de celebrar a importância do seu trabalho e inspirar jovens arquitetas a seguir trajetórias de impacto social positivo.

    “Não sou contra o luxo, mas sou contra o desperdício. Por isso, toda a minha vida profissional tem sido dedicada a combater o desperdício de todas as formas possíveis.” (Barbara Buser)

    O trabalho de Bárbara Buser pode ser visto nos seguintes links:

    https://zirkular.net/en/

    https://www.instagram.com/bauteilboerse_basel?igsh=dWJ3M2l5cjZpaXQy

     

    REFERÊNCIAS:

    https://www.dezeen.com/2026/03/02/barbara-buser-2026-jane-drew-prize/amp/

    https://www.detail.de/de_en/barbara-buser?srsltid=AfmBOoonR2x2BntxZCxIR3xcug-3-iu2My46HdIu7wyv9jiSNVRpZL0a

    https://metropolismag.com/profiles/how-barbara-buser-sparked-a-reuse-revolution/

    https://www.azw.at/en/event/barbara-buser/

     

  • Tendências para 2026

    Tendências para 2026

    Autora: Themis da Silva

    As preferências e necessidades mudam com o tempo; a arquitetura, também. Por isso, todo começo de ano é uma boa oportunidade para repensar os espaços que habitamos. No entanto, essa, às vezes, pode ser uma tarefa complicada. Por sorte, especialistas em previsões de mercado e profissionais experientes sempre lançam conteúdos que nos ajudam a prever quais estratégias estarão em alta a cada ano. Com base nesses conteúdos, este artigo traz uma lista de cinco tendências para a arquitetura e o design de interiores em 2026.

    SUSTENTABILIDADE

    Eventos climáticos extremos e a elevação das temperaturas em todo o mundo mostram que criar soluções sustentáveis é uma emergência. Isso impacta todas as áreas de atuação em arquitetura: desde o design de móveis e interiores, até o planejamento urbano, em todas as suas escalas. Para incorporar sustentabilidade à arquitetura, algumas ações são: usar materiais locais, recicláveis e reciclados; adotar estratégias passivas de conforto para reduzir os gastos energéticos e utilizar vegetação nativa. Quer um exemplo prático? A famosa marca B&B Itália lançou um sofá com estofamento biodegradável. Usar produtos assim no design de interiores pode trazer mais valor ao trabalho do arquiteto, que deve comunicar essas escolhas ambientalmente conscientes aos seus clientes. Quer outro exemplo? O Lajeado Arquitetos projetou uma casa belíssima na Bahia onde foram usadas madeiras brutas da região, paredes de barro aplicadas manualmente e telhas resgatadas de antigos casarões desmontados.

    DESCANSO E ACOLHIMENTO

    Essa tendência é um reflexo do excesso de telas, redes sociais e streamings. Estamos cercados por muita informação o tempo todo e há pressão para produzirmos cada vez mais. Muito se fala sobre uma sociedade exausta, marcada pelo aumento da depressão e do burnout. Como consequência , as pessoas têm demonstrado a necessidade de se desconectar da tecnologia e do trabalho e apreciar o lazer e as coisas do mundo real. É aí que elementos naturais, confortáveis  e aconchegantes se tornam importantes. As apostas para 2026 dizem que os interiores terão mais materiais naturais, mais artesanato, mais obras de arte e mais peças garimpadas de brechós (pois elas remetem à memória de histórias reais). Essa tendência também pode impactar o layout dos projetos. Sobretudo em áreas residenciais, a distribuição e o dimensionamento dos espaços podem melhorar o bem-estar das pessoas ao privilegiar o conforto, descanso e o lazer. De acordo com o relatório da WGSN, são recomendadas as seguintes estratégias para interiores em 2026: proporcionar lampejos de alegria e propor produtos e ambientes que criem mais intensidade emocional. Itens que surpreendem ou encantam proporcionarão uma pausa bem-vinda e um maior envolvimento com o espaço. Desenvolver formas, luzes, cores que pareçam convidativas e relaxantes e incorporar o bem-estar em todo o projeto. Já uma previsão da revista Vogue indica que os seguintes materiais estarão em alta: madeira, tecidos e azulejos decorados. Estima-se que os ambientes monocromáticos e minimalistas, que fizeram sucesso por muito tempo, agora já não terão a mesma procura.

    TECNOLOGIA

    Sim, contraditoriamente à tendência anterior, o uso da tecnologia também promete ser importante em 2026.  Parece que queremos poder fugir momentaneamente da tecnologia, e, ao mesmo tempo, a ter sempre por perto para facilitar nossa vida. Mas não é qualquer tecnologia. É uma tecnologia silenciosa: ou seja, uma tecnologia camuflada, pouco visível, e, ainda assim, de fácil uso. Aí entram soluções como iluminação dimerizada, climatização mimetizada na arquitetura, automação, e todos os tipos de eletrodomésticos mais tecnológicos para facilitar o dia a dia. Esses elementos já estão sendo incorporados há algum tempo na arquitetura. O diferencial é que eles tenderão a ficar cada vez mais integrados e em maior harmonia com o design dos espaços. A ideia é que a aparência dos equipamentos tecnológicos não perturbe a estética do projeto. Quanto mais integrada e de mais fácil uso for essa tecnologia, melhor.

    AGILIDADE CONCEITUAL E CONSTRUTIVA

    Os preços dos materiais têm tido muita variação devido às instabilidades de mercado a nível global. Qualquer decisão política inesperada pode alterar rapidamente o preço dos suprimentos. Por isso, projetos pensados para serem construídos rapidamente podem ajudar a superar a barreira da imprevisibilidade dos preços. De maneira semelhante, uma equipe preparada, com agilidade para prever custos e trabalhar de forma colaborativa em tempo real, pode se destacar no mercado por ser capaz de adaptar rapidamente os projetos à realidade do mercado. Além disso tudo, nós sabemos que os clientes querem ser atendidos com cada vez mais velocidade. O profissional que consegue fazer isso, está em vantagem. Por isso, incluir ferramentas de otimização dos processos é fundamental para escritórios de arquitetura. Softwares ou planilhas de controle de fluxo de projeto, aplicativos de inteligência artificial, migração para BIM e outras tecnologias também podem ser aliadas nesse objetivo.

    CORES NATURAIS OU EMPOEIRADAS

    A procura por ambientes tranquilos e acolhedores tem como consequência a escolha de tons que proporcionem relaxamento e conexão com a natureza. Há, também, a influência da busca por sustentabilidade, uma vez que essas cores, além de remeterem à natureza, podem ser realmente produzidas a partir de materiais naturais. Cores suaves que lembram areia, ar, água, céu, terra e vegetação poderão estar em alta ao longo deste ano. Tons com um certo aspecto empoeirado também estão nas tendências pois lembram paredes desgastadas pelo tempo, criando a sensação de um espaço que tem história. Em resumo, estarão em alta cores que parecem ter sido gastas pelo tempo ou que parecem ter sido coletadas diretamente da natureza. As duas cores de 2026 lançadas pela Suvinil estão bem alinhadas com essa tendência. Uma delas é um rosa acinzentado; a outra, um verde amarelado que evoca tranquilidade. Já a Pantone, que é a maior referência de cores em nível internacional, escolheu como cor do ano um branco suave, chamado de Cloud Dancer. A Pantone justificou a escolha da cor como uma resposta ao excesso de estímulo e informação. O branco seria uma proposta de pausa e silêncio para diminuir a sobrecarga e o cansaço. Esses argumentos, a princípio, estariam alinhados às tendências que vários outros relatórios apontam. No entanto, a cor foi bastante criticada. No design e na arquitetura, há um esgotamento dos espaços brancos e minimalistas que foram tendência nos últimos anos. O branco pode parecer impessoal e pouco natural, o que não estaria muito de acordo com a procura por mais elementos carregados de natureza e história.

    E você? O que achou das tendências para 2026? Pretende aplicar alguma delas nos seus espaços?

    Confira também este conteúdo em formato de podcast:

    REFERÊNCIAS

    https://www.wgsn.com/interiors/p/article/67bdb033c1bc409b30bdd677?lang=pt#page5

    https://www.gensler.com/6-trends-shaping-design-in-2026

    https://www.elledecor.com/design-decorate/color/a69178415/color-trends-2026/

    https://www.suvinil.com.br/cor-do-ano-suvinil

    https://www.dezeen.com/2025/12/04/lofty-white-cloud-dancer-pantone-colour-of-the-year-2026/amp/

    https://www.elledecor.com/design-decorate/color/a69178415/color-trends-2026/

    https://www.bbc.com/portuguese/articles/c0kd3640v4eo.amp

  • O que é arquitetura?

    O que é arquitetura?

    Autora: Themis da Silva.

    Para Le Corbusier, “Arquitetura é o jogo sábio, correto e magnífico dos volumes reunidos sobre a luz.”

    Para Álvaro Siza, “Arquitetura é geometria.”

    Para Oscar Niemeyer, “Arquitetura é invenção.”

    Muitos arquitetos criaram belos significados para arquitetura. Citações como as de Le Corbusier, Siza ou Niemeyer são inspiradoras e comoventes, revelando a interpretação pessoal de cada arquiteto sobre o tema. No entanto, nem sempre elas podem ser consideradas definições, em sentido amplo, de arquitetura. Afinal: o que é arquitetura? O que fazem os arquitetos? Existe arquitetura sem arquitetos?

    Este artigo busca responder essas perguntas de maneira simples e objetiva.

    O que é arquitetura?

    Arquitetura pode ser entendida como a prática de criar ambientes construídos adequados às vivências e atividades humanas, usualmente levando em consideração fatores culturais e estéticos.  Uma obra de arquitetura articula criativamente espaços, volumes, texturas, sombras, luzes e materiais, combinando-os às necessidades de uso, os custos e a tecnologia – unindo estética e funcionalidade em favor de ambientes adaptados aos seus usuários. Afiliada ao campo das artes, a arquitetura é uma forma de expressão da criatividade humana, e, frequentemente, traduz valores simbólicos e filosóficos.

    O que fazem os arquitetos?

    Atualmente, a arquitetura é considerada um campo multidisciplinar que pode envolver questões como: sustentabilidade, conforto térmico, iluminação, acústica, durabilidade, estética, acessibilidade, ergonomia, adaptação cultural, bem-estar, segurança, eficiência e economia. Algumas das principais áreas de atuação profissional são: arquitetura residencial, arquitetura comercial, arquitetura de interiores, paisagismo, preservação do patrimônio e sustentabilidade. De acordo com a Resolução n°21, do Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU/BR), as atribuições do arquiteto e urbanistas são as seguintes:

    • supervisão, coordenação, gestão e orientação técnica;

    • coleta de dados, estudo, planejamento, projeto e especificação;

    • estudo de viabilidade técnica e ambiental;

    • assistência técnica, assessoria e consultoria;

    • direção de obras e de serviço técnico;

    • vistoria, perícia, avaliação, monitoramento, laudo, parecer técnico, auditoria e arbitragem;

    • desempenho de cargo e função técnica;

    • treinamento, ensino, pesquisa e extensão universitária;

    • desenvolvimento, análise, experimentação, ensaio, padronização, mensuração e controle de qualidade;

    • elaboração de orçamento;

    • produção e divulgação técnica especializada; e

    • execução, fiscalização e condução de obra, instalação e serviço técnico.

    Existe arquitetura sem arquitetos?

    A resposta é: sim. Um dos pioneiros a estudar essa questão foi Bernard Rudofsky, que escreveu o clássico livro “Arquitetura sem arquitetos, uma introdução à arquitetura sem pedigree.” Nesse livro, é desconstruída a ideia de arquitetura como uma disciplina exclusiva a um determinado grupo social ou a determinados lugares. Ao contrário, o autor defende que arquitetura é um fenômeno universal. Ele introduz a ideia de que arquitetura é feita não apenas por especialistas, mas também pela atividade contínua e espontânea de muitos grupos de pessoas e comunidades. Sendo assim, também são consideradas arquitetura construções conhecidas como vernaculares, anônimas, espontâneas, indígenas ou rurais. É importante ressaltar que não somente obras monumentais, como palácios ou museus, são dotadas de arquitetura. Construções como pequenas casas, fábricas, estações de transporte coletivo e oficinas, dentre outras, também podem ser consideradas obras de arquitetura.

    Conclusão

    Arquitetura não é nem apenas arte, nem apenas construção. Ela envolve técnicas e conhecimentos multidisciplinares e tem o propósito de adequar os ambientes às vivências e às atividades humanas. Arquitetura é uma expressão da criatividade humana e é feita não apenas por especialistas, como também pela atividade espontânea de grupos de pessoas ou comunidades.

    Citações inspiradoras, como as de Lê Corbusier, Siza ou Niemeyer, talvez não sejam as mais adequadas para compreender o que é arquitetura. Por outro lado, alguns arquitetos contemporâneos expressam visões que se aproximam dos significados propostos neste texto:

    Para Bjarke Ingels, “A arquitetura é a arte e a ciência de garantir que nossas cidades e edifícios realmente se encaixem na maneira como queremos viver nossas vidas: o processo de manifestar nossa sociedade em nosso mundo físico.”

    Para Norman Foster, “A arquitetura é uma expressão de valores – a forma como construímos é um reflexo da forma como vivemos.”

    Para Anna Heringer, “Arquitetura é uma ferramenta para melhorar vidas.”

    Para Francis Kéré, “Arquitetura não é sobre apenas construir. É um meio de melhorar a qualidade de vida das pessoas.”

    E você? Como definiria o que é arquitetura?

    Confira também o episódio de podcast sobre este tema:

    COMO CITAR: SILVA, Themis da. O que é arquitetura? In: ARQUITETURA OBJETIVA. [S. l.], c2026.

    REFERÊNCIAS:

    ARQUITETURA. In: Aulete Digital. [S. l.], c2026. Disponível em: https://www.aulete.com.br/Arquitetura. Acesso em: 15 jan. 2026.

    CONSELHO DE ARQUITETURA E URBANISMO DO BRASIL (CAU). Resolução n°21. Brasília, DF: CAU, 2012. Disponível em: https://transparencia.caubr.gov.br/resolucao21/. Acesso em 15 jan. 2026.

    QUINTAL, Becky. 121 Definitions of Architecture. In: Archdaily. [S. l.], 2019. Disponível em: https://www.archdaily.com/773971/architecture-is-121-definitions-of-architecture. Acesso em: 15 jan. 2026.

    RUDOFSKY, Bernard. Architecture without architects, an introduction to nonpedigreed architecture. Nova York: The Museum of Modern Art, 1964.