Autora: Themis da Silva.
Para Le Corbusier, “Arquitetura é o jogo sábio, correto e magnífico dos volumes reunidos sobre a luz.”
Para Álvaro Siza, “Arquitetura é geometria.”
Para Oscar Niemeyer, “Arquitetura é invenção.”
Muitos arquitetos criaram belos significados para arquitetura. Citações como as de Le Corbusier, Siza ou Niemeyer são inspiradoras e comoventes, revelando a interpretação pessoal de cada arquiteto sobre o tema. No entanto, nem sempre elas podem ser consideradas definições, em sentido amplo, de arquitetura. Afinal: o que é arquitetura? O que fazem os arquitetos? Existe arquitetura sem arquitetos?
Este artigo busca responder essas perguntas de maneira simples e objetiva.
O que é arquitetura?
Arquitetura pode ser entendida como a prática de criar ambientes construídos adequados às vivências e atividades humanas, usualmente levando em consideração fatores culturais e estéticos. Uma obra de arquitetura articula criativamente espaços, volumes, texturas, sombras, luzes e materiais, combinando-os às necessidades de uso, os custos e a tecnologia – unindo estética e funcionalidade em favor de ambientes adaptados aos seus usuários. Afiliada ao campo das artes, a arquitetura é uma forma de expressão da criatividade humana, e, frequentemente, traduz valores simbólicos e filosóficos.
O que fazem os arquitetos?
Atualmente, a arquitetura é considerada um campo multidisciplinar que pode envolver questões como: sustentabilidade, conforto térmico, iluminação, acústica, durabilidade, estética, acessibilidade, ergonomia, adaptação cultural, bem-estar, segurança, eficiência e economia. Algumas das principais áreas de atuação profissional são: arquitetura residencial, arquitetura comercial, arquitetura de interiores, paisagismo, preservação do patrimônio e sustentabilidade. De acordo com a Resolução n°21, do Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU/BR), as atribuições do arquiteto e urbanistas são as seguintes:
• supervisão, coordenação, gestão e orientação técnica;
• coleta de dados, estudo, planejamento, projeto e especificação;
• estudo de viabilidade técnica e ambiental;
• assistência técnica, assessoria e consultoria;
• direção de obras e de serviço técnico;
• vistoria, perícia, avaliação, monitoramento, laudo, parecer técnico, auditoria e arbitragem;
• desempenho de cargo e função técnica;
• treinamento, ensino, pesquisa e extensão universitária;
• desenvolvimento, análise, experimentação, ensaio, padronização, mensuração e controle de qualidade;
• elaboração de orçamento;
• produção e divulgação técnica especializada; e
• execução, fiscalização e condução de obra, instalação e serviço técnico.
Existe arquitetura sem arquitetos?
A resposta é: sim. Um dos pioneiros a estudar essa questão foi Bernard Rudofsky, que escreveu o clássico livro “Arquitetura sem arquitetos, uma introdução à arquitetura sem pedigree.” Nesse livro, é desconstruída a ideia de arquitetura como uma disciplina exclusiva a um determinado grupo social ou a determinados lugares. Ao contrário, o autor defende que arquitetura é um fenômeno universal. Ele introduz a ideia de que arquitetura é feita não apenas por especialistas, mas também pela atividade contínua e espontânea de muitos grupos de pessoas e comunidades. Sendo assim, também são consideradas arquitetura construções conhecidas como vernaculares, anônimas, espontâneas, indígenas ou rurais. É importante ressaltar que não somente obras monumentais, como palácios ou museus, são dotadas de arquitetura. Construções como pequenas casas, fábricas, estações de transporte coletivo e oficinas, dentre outras, também podem ser consideradas obras de arquitetura.
Conclusão
Arquitetura não é nem apenas arte, nem apenas construção. Ela envolve técnicas e conhecimentos multidisciplinares e tem o propósito de adequar os ambientes às vivências e às atividades humanas. Arquitetura é uma expressão da criatividade humana e é feita não apenas por especialistas, como também pela atividade espontânea de grupos de pessoas ou comunidades.
Citações inspiradoras, como as de Lê Corbusier, Siza ou Niemeyer, talvez não sejam as mais adequadas para compreender o que é arquitetura. Por outro lado, alguns arquitetos contemporâneos expressam visões que se aproximam dos significados propostos neste texto:
Para Bjarke Ingels, “A arquitetura é a arte e a ciência de garantir que nossas cidades e edifícios realmente se encaixem na maneira como queremos viver nossas vidas: o processo de manifestar nossa sociedade em nosso mundo físico.”
Para Norman Foster, “A arquitetura é uma expressão de valores – a forma como construímos é um reflexo da forma como vivemos.”
Para Anna Heringer, “Arquitetura é uma ferramenta para melhorar vidas.”
Para Francis Kéré, “Arquitetura não é sobre apenas construir. É um meio de melhorar a qualidade de vida das pessoas.”
E você? Como definiria o que é arquitetura?
Confira também o episódio de podcast sobre este tema:
COMO CITAR: SILVA, Themis da. O que é arquitetura? In: ARQUITETURA OBJETIVA. [S. l.], c2026.
REFERÊNCIAS:
ARQUITETURA. In: Aulete Digital. [S. l.], c2026. Disponível em: https://www.aulete.com.br/Arquitetura. Acesso em: 15 jan. 2026.
CONSELHO DE ARQUITETURA E URBANISMO DO BRASIL (CAU). Resolução n°21. Brasília, DF: CAU, 2012. Disponível em: https://transparencia.caubr.gov.br/resolucao21/. Acesso em 15 jan. 2026.
QUINTAL, Becky. 121 Definitions of Architecture. In: Archdaily. [S. l.], 2019. Disponível em: https://www.archdaily.com/773971/architecture-is-121-definitions-of-architecture. Acesso em: 15 jan. 2026.
RUDOFSKY, Bernard. Architecture without architects, an introduction to nonpedigreed architecture. Nova York: The Museum of Modern Art, 1964.

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