Autor: themissilva

  • Tendências para 2026

    Tendências para 2026

    Autora: Themis da Silva

    As preferências e necessidades mudam com o tempo; a arquitetura, também. Por isso, todo começo de ano é uma boa oportunidade para repensar os espaços que habitamos. No entanto, essa, às vezes, pode ser uma tarefa complicada. Por sorte, especialistas em previsões de mercado e profissionais experientes sempre lançam conteúdos que nos ajudam a prever quais estratégias estarão em alta a cada ano. Com base nesses conteúdos, este artigo traz uma lista de cinco tendências para a arquitetura e o design de interiores em 2026.

    SUSTENTABILIDADE

    Eventos climáticos extremos e a elevação das temperaturas em todo o mundo mostram que criar soluções sustentáveis é uma emergência. Isso impacta todas as áreas de atuação em arquitetura: desde o design de móveis e interiores, até o planejamento urbano, em todas as suas escalas. Para incorporar sustentabilidade à arquitetura, algumas ações são: usar materiais locais, recicláveis e reciclados; adotar estratégias passivas de conforto para reduzir os gastos energéticos e utilizar vegetação nativa. Quer um exemplo prático? A famosa marca B&B Itália lançou um sofá com estofamento biodegradável. Usar produtos assim no design de interiores pode trazer mais valor ao trabalho do arquiteto, que deve comunicar essas escolhas ambientalmente conscientes aos seus clientes. Quer outro exemplo? O Lajeado Arquitetos projetou uma casa belíssima na Bahia onde foram usadas madeiras brutas da região, paredes de barro aplicadas manualmente e telhas resgatadas de antigos casarões desmontados.

    DESCANSO E ACOLHIMENTO

    Essa tendência é um reflexo do excesso de telas, redes sociais e streamings. Estamos cercados por muita informação o tempo todo e há pressão para produzirmos cada vez mais. Muito se fala sobre uma sociedade exausta, marcada pelo aumento da depressão e do burnout. Como consequência , as pessoas têm demonstrado a necessidade de se desconectar da tecnologia e do trabalho e apreciar o lazer e as coisas do mundo real. É aí que elementos naturais, confortáveis  e aconchegantes se tornam importantes. As apostas para 2026 dizem que os interiores terão mais materiais naturais, mais artesanato, mais obras de arte e mais peças garimpadas de brechós (pois elas remetem à memória de histórias reais). Essa tendência também pode impactar o layout dos projetos. Sobretudo em áreas residenciais, a distribuição e o dimensionamento dos espaços podem melhorar o bem-estar das pessoas ao privilegiar o conforto, descanso e o lazer. De acordo com o relatório da WGSN, são recomendadas as seguintes estratégias para interiores em 2026: proporcionar lampejos de alegria e propor produtos e ambientes que criem mais intensidade emocional. Itens que surpreendem ou encantam proporcionarão uma pausa bem-vinda e um maior envolvimento com o espaço. Desenvolver formas, luzes, cores que pareçam convidativas e relaxantes e incorporar o bem-estar em todo o projeto. Já uma previsão da revista Vogue indica que os seguintes materiais estarão em alta: madeira, tecidos e azulejos decorados. Estima-se que os ambientes monocromáticos e minimalistas, que fizeram sucesso por muito tempo, agora já não terão a mesma procura.

    TECNOLOGIA

    Sim, contraditoriamente à tendência anterior, o uso da tecnologia também promete ser importante em 2026.  Parece que queremos poder fugir momentaneamente da tecnologia, e, ao mesmo tempo, a ter sempre por perto para facilitar nossa vida. Mas não é qualquer tecnologia. É uma tecnologia silenciosa: ou seja, uma tecnologia camuflada, pouco visível, e, ainda assim, de fácil uso. Aí entram soluções como iluminação dimerizada, climatização mimetizada na arquitetura, automação, e todos os tipos de eletrodomésticos mais tecnológicos para facilitar o dia a dia. Esses elementos já estão sendo incorporados há algum tempo na arquitetura. O diferencial é que eles tenderão a ficar cada vez mais integrados e em maior harmonia com o design dos espaços. A ideia é que a aparência dos equipamentos tecnológicos não perturbe a estética do projeto. Quanto mais integrada e de mais fácil uso for essa tecnologia, melhor.

    AGILIDADE CONCEITUAL E CONSTRUTIVA

    Os preços dos materiais têm tido muita variação devido às instabilidades de mercado a nível global. Qualquer decisão política inesperada pode alterar rapidamente o preço dos suprimentos. Por isso, projetos pensados para serem construídos rapidamente podem ajudar a superar a barreira da imprevisibilidade dos preços. De maneira semelhante, uma equipe preparada, com agilidade para prever custos e trabalhar de forma colaborativa em tempo real, pode se destacar no mercado por ser capaz de adaptar rapidamente os projetos à realidade do mercado. Além disso tudo, nós sabemos que os clientes querem ser atendidos com cada vez mais velocidade. O profissional que consegue fazer isso, está em vantagem. Por isso, incluir ferramentas de otimização dos processos é fundamental para escritórios de arquitetura. Softwares ou planilhas de controle de fluxo de projeto, aplicativos de inteligência artificial, migração para BIM e outras tecnologias também podem ser aliadas nesse objetivo.

    CORES NATURAIS OU EMPOEIRADAS

    A procura por ambientes tranquilos e acolhedores tem como consequência a escolha de tons que proporcionem relaxamento e conexão com a natureza. Há, também, a influência da busca por sustentabilidade, uma vez que essas cores, além de remeterem à natureza, podem ser realmente produzidas a partir de materiais naturais. Cores suaves que lembram areia, ar, água, céu, terra e vegetação poderão estar em alta ao longo deste ano. Tons com um certo aspecto empoeirado também estão nas tendências pois lembram paredes desgastadas pelo tempo, criando a sensação de um espaço que tem história. Em resumo, estarão em alta cores que parecem ter sido gastas pelo tempo ou que parecem ter sido coletadas diretamente da natureza. As duas cores de 2026 lançadas pela Suvinil estão bem alinhadas com essa tendência. Uma delas é um rosa acinzentado; a outra, um verde amarelado que evoca tranquilidade. Já a Pantone, que é a maior referência de cores em nível internacional, escolheu como cor do ano um branco suave, chamado de Cloud Dancer. A Pantone justificou a escolha da cor como uma resposta ao excesso de estímulo e informação. O branco seria uma proposta de pausa e silêncio para diminuir a sobrecarga e o cansaço. Esses argumentos, a princípio, estariam alinhados às tendências que vários outros relatórios apontam. No entanto, a cor foi bastante criticada. No design e na arquitetura, há um esgotamento dos espaços brancos e minimalistas que foram tendência nos últimos anos. O branco pode parecer impessoal e pouco natural, o que não estaria muito de acordo com a procura por mais elementos carregados de natureza e história.

    E você? O que achou das tendências para 2026? Pretende aplicar alguma delas nos seus espaços?

    Confira também este conteúdo em formato de podcast:

    REFERÊNCIAS

    https://www.wgsn.com/interiors/p/article/67bdb033c1bc409b30bdd677?lang=pt#page5

    https://www.gensler.com/6-trends-shaping-design-in-2026

    https://www.elledecor.com/design-decorate/color/a69178415/color-trends-2026/

    https://www.suvinil.com.br/cor-do-ano-suvinil

    https://www.dezeen.com/2025/12/04/lofty-white-cloud-dancer-pantone-colour-of-the-year-2026/amp/

    https://www.elledecor.com/design-decorate/color/a69178415/color-trends-2026/

    https://www.bbc.com/portuguese/articles/c0kd3640v4eo.amp

  • O que é arquitetura?

    O que é arquitetura?

    Autora: Themis da Silva.

    Para Le Corbusier, “Arquitetura é o jogo sábio, correto e magnífico dos volumes reunidos sobre a luz.”

    Para Álvaro Siza, “Arquitetura é geometria.”

    Para Oscar Niemeyer, “Arquitetura é invenção.”

    Muitos arquitetos criaram belos significados para arquitetura. Citações como as de Le Corbusier, Siza ou Niemeyer são inspiradoras e comoventes, revelando a interpretação pessoal de cada arquiteto sobre o tema. No entanto, nem sempre elas podem ser consideradas definições, em sentido amplo, de arquitetura. Afinal: o que é arquitetura? O que fazem os arquitetos? Existe arquitetura sem arquitetos?

    Este artigo busca responder essas perguntas de maneira simples e objetiva.

    O que é arquitetura?

    Arquitetura pode ser entendida como a prática de criar ambientes construídos adequados às vivências e atividades humanas, usualmente levando em consideração fatores culturais e estéticos.  Uma obra de arquitetura articula criativamente espaços, volumes, texturas, sombras, luzes e materiais, combinando-os às necessidades de uso, os custos e a tecnologia – unindo estética e funcionalidade em favor de ambientes adaptados aos seus usuários. Afiliada ao campo das artes, a arquitetura é uma forma de expressão da criatividade humana, e, frequentemente, traduz valores simbólicos e filosóficos.

    O que fazem os arquitetos?

    Atualmente, a arquitetura é considerada um campo multidisciplinar que pode envolver questões como: sustentabilidade, conforto térmico, iluminação, acústica, durabilidade, estética, acessibilidade, ergonomia, adaptação cultural, bem-estar, segurança, eficiência e economia. Algumas das principais áreas de atuação profissional são: arquitetura residencial, arquitetura comercial, arquitetura de interiores, paisagismo, preservação do patrimônio e sustentabilidade. De acordo com a Resolução n°21, do Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU/BR), as atribuições do arquiteto e urbanistas são as seguintes:

    • supervisão, coordenação, gestão e orientação técnica;

    • coleta de dados, estudo, planejamento, projeto e especificação;

    • estudo de viabilidade técnica e ambiental;

    • assistência técnica, assessoria e consultoria;

    • direção de obras e de serviço técnico;

    • vistoria, perícia, avaliação, monitoramento, laudo, parecer técnico, auditoria e arbitragem;

    • desempenho de cargo e função técnica;

    • treinamento, ensino, pesquisa e extensão universitária;

    • desenvolvimento, análise, experimentação, ensaio, padronização, mensuração e controle de qualidade;

    • elaboração de orçamento;

    • produção e divulgação técnica especializada; e

    • execução, fiscalização e condução de obra, instalação e serviço técnico.

    Existe arquitetura sem arquitetos?

    A resposta é: sim. Um dos pioneiros a estudar essa questão foi Bernard Rudofsky, que escreveu o clássico livro “Arquitetura sem arquitetos, uma introdução à arquitetura sem pedigree.” Nesse livro, é desconstruída a ideia de arquitetura como uma disciplina exclusiva a um determinado grupo social ou a determinados lugares. Ao contrário, o autor defende que arquitetura é um fenômeno universal. Ele introduz a ideia de que arquitetura é feita não apenas por especialistas, mas também pela atividade contínua e espontânea de muitos grupos de pessoas e comunidades. Sendo assim, também são consideradas arquitetura construções conhecidas como vernaculares, anônimas, espontâneas, indígenas ou rurais. É importante ressaltar que não somente obras monumentais, como palácios ou museus, são dotadas de arquitetura. Construções como pequenas casas, fábricas, estações de transporte coletivo e oficinas, dentre outras, também podem ser consideradas obras de arquitetura.

    Conclusão

    Arquitetura não é nem apenas arte, nem apenas construção. Ela envolve técnicas e conhecimentos multidisciplinares e tem o propósito de adequar os ambientes às vivências e às atividades humanas. Arquitetura é uma expressão da criatividade humana e é feita não apenas por especialistas, como também pela atividade espontânea de grupos de pessoas ou comunidades.

    Citações inspiradoras, como as de Lê Corbusier, Siza ou Niemeyer, talvez não sejam as mais adequadas para compreender o que é arquitetura. Por outro lado, alguns arquitetos contemporâneos expressam visões que se aproximam dos significados propostos neste texto:

    Para Bjarke Ingels, “A arquitetura é a arte e a ciência de garantir que nossas cidades e edifícios realmente se encaixem na maneira como queremos viver nossas vidas: o processo de manifestar nossa sociedade em nosso mundo físico.”

    Para Norman Foster, “A arquitetura é uma expressão de valores – a forma como construímos é um reflexo da forma como vivemos.”

    Para Anna Heringer, “Arquitetura é uma ferramenta para melhorar vidas.”

    Para Francis Kéré, “Arquitetura não é sobre apenas construir. É um meio de melhorar a qualidade de vida das pessoas.”

    E você? Como definiria o que é arquitetura?

    Confira também o episódio de podcast sobre este tema:

    COMO CITAR: SILVA, Themis da. O que é arquitetura? In: ARQUITETURA OBJETIVA. [S. l.], c2026.

    REFERÊNCIAS:

    ARQUITETURA. In: Aulete Digital. [S. l.], c2026. Disponível em: https://www.aulete.com.br/Arquitetura. Acesso em: 15 jan. 2026.

    CONSELHO DE ARQUITETURA E URBANISMO DO BRASIL (CAU). Resolução n°21. Brasília, DF: CAU, 2012. Disponível em: https://transparencia.caubr.gov.br/resolucao21/. Acesso em 15 jan. 2026.

    QUINTAL, Becky. 121 Definitions of Architecture. In: Archdaily. [S. l.], 2019. Disponível em: https://www.archdaily.com/773971/architecture-is-121-definitions-of-architecture. Acesso em: 15 jan. 2026.

    RUDOFSKY, Bernard. Architecture without architects, an introduction to nonpedigreed architecture. Nova York: The Museum of Modern Art, 1964.